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Existe uma máxima na vida profissional que diz o seguinte:
"Você não precisa saber todas as respostas. Você apenas precisa conhecer as pessoas que sabem as respostas" (:-D)
Transpondo esta máxima para meus textos no ARENA HEAVY, posso dizer que infelizmente não pude ir ao show do ZZ TOP em São Paulo no mês passado. Mas conheço quem foi.
E foi por isso que pedi ao meu grande amigo Alexandre Picchi Neves que esteve lá, que nos contasse como foi a aventura de ver o trio que faz um rock & blues de primeira, desde muito tempo antes de eles aparecerem no Velho Oeste no "De Volta Para O Futuro" com o Doc Brown e o DeLorean.
Então aqui vai, o texto do Alexandre.
40 anos de carreira e a formação original permanece. ZZ TOP em São Paulo foi de arrepiar.
Acho que foi em Janeiro que li em algum lugar que o ZZ TOP viria ao Brasil este ano. Corri para pesquisar a data do show e anotei na agenda, afinal não dá pra perder o show da banda que gravou o primeiro CD que eu comprei na vida.
Em meados de 1990 (só lembro porque era ano de Copa do Mundo) havia comprado meu primeiro CD player, mas ainda não tinha nenhum CD para escutar.
Nessa época, eu fazia estágio em uma empresa na Av. Angélica em São Paulo, relativamente próxima do Centro, e resolvi dar uma passada na famosa Galeria do Rock pra comprar o tal disquinho prateado. Cheguei a uma das lojas e expliquei o tipo de som que gostava, pedindo sugestões ao atendente. Ele colocou alguns discos pra eu escutar e assim que ouvi algumas músicas do "Rio Grande Mud" estava decidido:
É esse ! Foi amor à primeira vista.
Apesar de eles terem lançado o primeiro disco em 1971, e o "Rio Grande Mud" em 1972 (18 anos antes !), na minha ignorância musical eu ainda não os conhecia. O jeito foi tocar este CD no aparelho novo até gastar e comprar tudo o que eu achasse deles depois disso.
A data do show mudou algumas vezes, mas no dia 20 de Maio estava eu lá no Via Funchal com 2 grandes amigos, Umberto e Sergay, pra assistir ao mais puro "Blues Rock & Roll" que conheço. Entramos, compramos camisetas oficiais, pegamos uma cerveja e achamos um bom lugar na pista.
Foi quando aconteceu o primeiro fato curioso da noite. Nos telões laterais, surgiu uma frase informando que "devido às orientações da produção do show, não seriam transmitidas imagens ao vivo nos telões". Tudo bem que no Via Funchal quase todo local é próximo ao palco e dá pra ver bem os músicos, mas não entendi o que poderia ter de negativo mostrar detalhes em close.
Brincamos com a história deles, com o fato de terem sumido entre 1977 e 1979 após um período de baixa, e quando voltaram das "férias" estavam barbudos e prontos para lançar "Degüelo", considerado um dos melhores álbuns da banda (mais detalhes em http://pt.wikipedia.org/wiki/ZZ_Top).
Quem da minha geração (perto dos 40 anos agora) não assistiu "A Encruzilhada" ? Será que esta história toda de volta ao sucesso e barbas gigantescas fizeram parte de um pacto com o demônio ? Será que neste pacto foi combinado que não podem ser transmitidas imagens ao vivo durante o show ? Que alguma "coisa" apareceria nas telas ? Bom... deixa pra lá.
Aí veio a cena mais "non-sense" da noite. Uma mulher da Kiss FM (aliás, uma rádio duca..., diga-se de passagem) começou a distribuir camisetas e agitar a galera. O problema foi que ela tentou dar uma de animadora: "Pessoal, vamos mostrar pro ZZ Top que o brasileiro é o povo que mais vibra em um show de rock. Todo mundo comigo. A Êeeeeee, A Ê, A Ê, A Êeeeeee, Zi Ziiiii, Tó Pêeeee".
Pô mina ! "Tó Pê" não dá, né !? (Ainda bem que os caras entraram logo)
O show começa e a sonzeira é ES-PE-TA-CU-LAR. Mesmo sem os telões laterais dava pra ver super bem. Billy Gibbons e Dusty Hill com as barbas e o visual de sempre (figuraças) na frente, uma bateria maravilhosa do Frank Beard com o já tradicional bumbo duplo imitando duas rodas cromadas separadas por pistões também cromados e um painel de fundo transmitindo imagens perfeitas pra fechar um visual inesquecível.
Frank Beard em São Paulo com sua batera no estilo "on the Road" pra deixar qualquer baterista babando.
O setlist foi muito bem escolhido e dava pra perceber que todo mundo estava curtindo. Coro em praticamente todos os refrões. Já tinha rolado algumas músicas e algumas cervejas a mais (ponto positivo pro Via Funchal: Dava pra ir buscar uma breja gelada e voltar pro lugar sem problemas) quando aconteceu o segundo fato curioso da noite:
Em um dos solos, Billy Gibbons estava arrebentando quando percebemos que ele estava solando somente com a mão esquerda. Um solo difícil, super bem tocado, e parecia que ele não estava nem aí. Enquanto tocava com a mão esquerda ele pegava uma cerveja com a direita, bebia e falava com o resto da banda. Aí veio a idéia do pacto de novo...
Será que no pacto estava incluído que o homem lá embaixo tinha que tocar um solo nos shows ? Afinal, de que adianta dar o dom pra alguém e ele mesmo não tocar nada. Vai saber...
Não quero parecer injusto com a banda (afinal estávamos todos lá pra ver o ZZ TOP), mas pra mim o ápice do show foi quando eles tocaram "Hey Joe" do JIMI HENDRIX. Escutar uma das músicas mais fantásticas da história do rock, com a pegada do ZZ TOP e imagens de JIMI HENDRIX esfumaçadas no painel de fundo pareceu uma coisa sobrenatural. Foi de arrepiar ! Será mais um indício ? (brrrr... outro arrepio)
O último fato curioso e o mais impressionante, foi quando eles projetaram a sombra do Billy na parede ao lado da pista. A projeção era gigante e nítida. Pra quem conhece o Via Funchal, foi como se a sombra gigante estivesse com o pé na pista, de costas para o palco, "conversando" de pertinho com o pessoal que estava nas arquibancadas superiores. Olhei pro Umberto e falei: "Caraca ! Parece que o cara faz uma coisa no placo e a sombra faz outra na parede. Só faltava a banda sair do palco e a sombra continuar tocando".
Aí eu não teria mais dúvida nenhuma sobre o tal do Pacto !
Fim da sequência normal. Eles saem do palco fingindo que o show acabou, a galera finge que acredita e pede BIS. Eles voltam pra fazer mais 3 músicas de arrebentar e fechar a noite com chave de ouro. Assim que o show acaba vem aquela sensação de "ainda bem que não perdi esse show". Quem queria ver e por algum motivo bobo não foi, pode chorar agora.
Banheiro, mais 3 cervejas e decidimos ficar por ali mesmo batendo um papo, esperando o Via Funchal esvaziar pra sairmos mais tranquilos.
Que noite ! Beber uma cerveja gelada com 2 grandes amigos, vendo ao vivo uma das bandas mais incríveis da História do Rock. Vou querer mais o quê ?
Se eles têm Pacto com alguém do inferno eu não sei, mas naquele momento, eu estava no céu.
SETLIST Got Me Under Pressure Waitin' For The Bus Jesus Just Left Chicago Pincushion I'm Bad, I'm Nationwide Future Blues (Willie Brown cover) Rock Me Baby Cheap Sunglasses I Need You Tonight Hey Joe (Jimi Hendrix cover) Brown Sugar Francine Party On The Patio Just Got Paid Gimme All Your Lovin' Sharp Dressed Man Legs BIS Viva Las Vegas La Grange Tush
Texto: Alexandre Picchi Neves Matéria: Daniel Dystyler - Arena Heavy PS - Se alguém quiser, vale a pena dar uma olhada no batera desta banda de formatura, tocando cover do ZZ TOP. É muito engraçado !!! |
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